Novos horizontes para quem quer proteger os mares e investir no capital mais precioso da Terra: a vida.
Com mais de 8 mil quilômetros de extensão, o Brasil possui o primeiro maior litoral da América Latina. No entanto, a diversidade da vida marinha e a beleza das paisagens costeiras contrastam com uma realidade preocupante: segundo o relatório Fragmentos da Destruição: Impacto do Plástico na Biodiversidade Marinha Brasileira, da ONG Oceana, o Brasil é o oitavo país do mundo, e o maior poluidor da América Latina, no descarte de plástico no oceano.
O país ainda enfrenta o desafio de conciliar o uso sustentável e a conservação de seus ecossistemas costeiros e marinhos.
Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 6.969/2013, que institui a Política Nacional para a Conservação e o Uso Sustentável do Bioma Marinho Brasileiro (PNCMar). Conhecido como Lei do Mar, o PL estabelece diretrizes, medidas e políticas para a preservação do ambiente marinho, além de promover a melhoria da qualidade de vida das populações que vivem na costa brasileira.
Para o setor do mar e recursos marinhos, as oportunidades do empreendedorismo se concentram no uso de tecnologias de limpeza marítima para a remoção de poluentes e plásticos de oceanos, lagos e riachos à substituição do uso do plástico por materiais biodegradáveis e outros modelos circulares.
Essas iniciativas também incluem o uso de satélites para monitorar a pesca e proteger a biodiversidade marinha, além de ações voltadas à restauração dos ecossistemas costeiros, como a aplicação de engenharia genética para fortalecer recifes de coral e o uso de drones na recuperação de manguezais.

Como Empreendedores Podem Fazer a Diferença:
- Economia azul: utilizando tecnologias de limpeza marítima para remoção de poluição e plásticos de oceanos, lagos e riachos.
- Educação ambiental: empresas podem organizar mutirões para limpeza de mares, rios e oceanos envolvendo a sociedade civil. Essa estratégia amplia a conscientização sobre a importância dos oceanos e a importância da preservação marítima para a comunidade local.
- Economia circular: empresas podem desenvolver e fornecer produtos de base ecológica, que substituem plásticos de uso único, ou que promovem a reciclagem e o reuso.
- Pesca sustentável: a agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirma que o aumento da pesca intensiva comprometeu a sobrevivência de 33,1% das espécies comerciais. A pesca sustentável, protege a fauna marinha, utiliza métodos sustentáveis, contribui para a segurança alimentar e gera empregos.
- Investimento em tecnologias baseadas em microalgas: ao longo dos anos, as pesquisas sobre o potencial climático das microalgas têm demonstrado resultados promissores. Essas espécies apresentam alta capacidade de remoção de dióxido de carbono (CO₂), superando, em alguns casos, plantas terrestres convencionais. Por sua abundância natural nos oceanos e eficiência fotossintética, as microalgas despontam como aliadas no enfrentamento das mudanças climáticas e na mitigação de emissões de gases de efeito estufa. Embora ainda em fase de pesquisa e experimentação, o investimento consciente no desenvolvimento de tecnologias de cultivo e aproveitamento das microalgas mostra-se estratégico, especialmente para setores industriais de difícil descarbonização. Iniciativas privadas podem acelerar esse avanço, financiando projetos-piloto, aprimorando cepas com maior eficiência de captura de carbono e fomentando a criação de produtos de valor agregado, como biocombustíveis, biomateriais e biofertilizantes.


